A Fase Rosa

A Fase Rosa formou-se em 2009 e, desde então, tem conquistado espaço no cenário da música independente do país. Sempre interessada na cultura popular, a banda constrói sua musicalidade em um flerte permanente com variações do samba, marchas e gêneros como o carimbó e o axé. Ao mesmo tempo, sobrepõe a esses contextos regionais influências da cultura cosmopolita, inspirada pela ironia do experimento tropicalista e pela ousadia do manguebeat. No fim das contas, o som d’A Fase Rosa explode híbrido, experimental e sem vergonha de abraçar o que aparentemente é pura contradição.

Leveza

Inspirada pela ideia de renovar os ritmos brasileiros mais populares a partir de uma estética moderna e urbana, a banda belo-horizontina A FASE ROSA volta à cena com o lançamento de seu mais novo álbum, LEVEZA. Experimental e multiculturalista, com timbres ricos e sonoridade singular, o disco é norteado pela liberdade e leveza, tanto na criação como no conceito. No repertório, um apanhado das muitas possibilidades que permeiam o som do grupo, que tem sua força no suingue da música brasileira, aqui, revigorado pela energia própria de uma banda de rock. Tudo isso materializado de maneira prazerosa, exatamente como o nome do disco sugere. Vigor renovado depois de um ano e meio desde a elogiada estreia com o CD “Homens Lentos”, é também a leveza que parece refletir nova luz sobre o processo criativo e a trajetória da banda, formada pelos músicos Fernando “Feijão” Monteiro (bateria e voz), Rafael José (guitarra e voz), Rodrigo Magalhães (baixo e voz) e Thales Silva (guitarra e voz). “É possível notar um diálogo ainda mais forte com os procedimentos de crítica e criação característicos dos artistas brasileiros.  Continuamos com o desejo de traduzir a música e a cultura brasileira para o mundo, mas respeitando e tentando compreender diariamente o que de fato somos”, observa o guitarrista Thales Silva. Nesse novo capítulo da história do grupo, a mudança é sutil, mas profunda. As letras do novo disco continuam muito críticas, politizadas e atentas ao que acontece ao redor dos músicos, mas o ângulo é outro – mais leve e otimista. Em tom arrojado, de quem sempre optou por sair da zona de conforto, a aspiração que emerge do som e da fala do grupo é pela novidade, que, entretanto, não desconsidera as tradições. É da beleza, que gera encantamento, mas também dúvida e estranhamento, e se revela a partir da descoberta – para eles, sempre mais surpreendente.  

FAIXA A FAIXA – POR THALES SILVA

1. MÃOS UNIDAS | Thales Silva

Vinha lendo alguns livros que tratavam da construção das nações latino-americanas, em especial o Brasil. No parágrafo final de um desses livros, no caso, “O Povo Brasileiro”, de Darcy Ribeiro, ele fala do Brasil como uma nova Roma, moderna, cheia de contradições, mas também com muita luz para todo o tipo de desarranjo que possamos vir a enfrentar. Falo dessa "terra onde o sol iluminou os corações... nos alcançou um império sem lei...". Na instrumentação, a banda volta a explicitar a intenção de dialogar mais fortemente com as brasilidades.

2. A PRAIA | Thales Silva

É uma canção de celebração ao momento que vivíamos com a explosão da Praia da Estação. Muita coisa mudou desde então, mas esse movimento teve muita influência na deflagração de diversos outros movimentos sociais surgidos em Belo Horizonte. A reunião de pessoas naquele lugar fortaleceu a comunicação dos grupos. O movimento está vivo e em mutação. A música é super tropical e feita pra ser cantada junto.

3. LEVEZA | Thales Silva

A música fala de uma sensação gostosa que tive ao ouvir o álbum “1973”, de João Gilberto. Fiz versos que brincam com pedaços de letras do álbum para caracterizar e desenhar essa leveza que sentia. Na instrumentação, levamos isso em conta pelo despojo e naturalidade com que fizemos a produção. Numa jam de meia hora o arranjo já estava praticamente pronto e mal modificamos qualquer coisa depois. Existem muitos espaços na música, para que a voz carregue a tal ausência de peso sobre a qual falamos.

4. TREASURES AND TRAGEDIES | Thales Silva

Faixa inspirada no momento de leveza que eu passava. Surgiram muitas canções sobre esse período. Por isso também o nome do disco que acabou abarcando as canções e influenciando todo mundo na construção dos arranjos. Na direção da leveza, da lassidão causada por essa vontade de prazer e de entrega, os arranjos também ganharam um tom muito ligado ao reggae. O ritmo é arrastado, o canto é doce e as timbragens são nostálgicas. 

5. PARAÍBA | Rafael José e Thales Silva

A música é do Rafael, com letra minha. Nela, tratei de um tema que tem sido fruto de muita curiosidade da minha parte que é o feminismo. Como a música do Rafael já me chegou como um baião, pensei imediatamente nos bailões de forró. Fiz uma brincadeira com duas letras desse universo que tem cunho machista. Sem julgar, apenas inverti os sentidos, representando desse modo a realidade bem mais confusa do que nos fizeram acreditar por certo tempo. Na produção, a banda toda abraçou esse clima; do calor e da lascividade desse tipo gostoso de música.

6. BH – SP | Thales Silva

É uma música de amor. Trata-se da ponte Belo Horizonte – São Paulo, necessária pra que se investisse naquele momento bom que eu vivia. Rodoviárias, metrô, Vila Madalena. A banda seguiu ainda o caminho da simplicidade e da austeridade nos arranjos. A ideia foi experimentar, a nosso modo, a partir da tranquilidade tradicional do samba-bossa que a canção trazia. Reconstruímos a rítmica e abusamos de timbragens mais experimentais e arranjos menos convencionais.

7. GUANABARA | Thales Silva

A canção nasceu como um funk carioca. Vinha brincando com essa ideia e cheguei a fazer alguns. Guitarras, baixo e bateria trabalham muito forte no sentido rítmico, enquanto as texturas e uma sonoridade mais roqueira setentista foi explorada nas guitarras do Rafa. Na letra, falo das minhas sensações experimentadas ao vivenciar e pensar o Rio de Janeiro. Às vezes, não compreendo, me indigno e, por outras vezes, me sinto maravilhado. Enfim, trato aqui das contradições que o lugar tem e causa nas pessoas e em mim.

8. ESSA NEGA ME FALTA! | Paula Berbert e Thales Silva

Mais uma parceria minha com a Paula. Trata-se ali das sensações dela, lembrando de sua casa em Uberlândia. Das presenças e ausências. Da saudade e das memórias. Avós, amigos, cheiros. Na montagem dos arranjos, respeitamos a brasilidade da canção, que começa mais explosiva numa espécie de samba rock e termina na repetida leveza de um xote, que é dirigido pelo próprio canto que se torna mais leve e justifica bem a letra.

9. FLORZINHA | Thales Silva

Florzinha é sobre uma nova forma de entender o amor. Com os relacionamentos que começam e os que terminam, em geral ficamos confusos, carentes. Aflige a todos. Só quis dizer que somos amor o tempo todo e que é gostoso curtir cada um deles, com o que podem nos oferecer de troca. Quero dizer em poucas palavras que qualquer amor vale só por ser amor. Musicalmente isso foi explicitado através de um samba arrastado, com experimentação de texturas e ritmos.

10. CHEIRO BOM (HOMENAGEM AO TIBET) | Paula Berbert

Sinto essa canção como uma das que mais explicita a nova fase, muito mais coletiva da banda. Desde a canção, que é uma parceria minha com a Paula Berbert, até o modo como foi tocada, produzida e pensada. Os arranjos surgiram instintivamente e essa toada de liberdade deu à música um ar de psicodelia. As guitarras são roqueiras e experimentais, enquanto que a rítmica é bem livre e fluida.

11. VADIAR | Thales Silva

Essa música eu fiz sobre o fim do relacionamento de um amigo e o modo maduro como ele tratou a questão. Falo da tranquilidade após um pedido de "liberação pra curtição". Como a música tem certo (bom) humor, optamos pela construção de um samba mais rápido. Naturalmente, os ritmos voltam a sofrer alterações e não são rígidos. Novamente experimentamos na forma e nas timbragens dos instrumentos.

12. COISA PRETA | Thales Silva

É uma ironia com a preconceituosa frase "a coisa ficou preta". Usada, em geral, com intenção pejorativa, busquei utilizá-la no sentido oposto. É, na verdade, uma ode à contribuição da cultura, da música e intelectualidade negras na construção de tudo que temos de bom. A música ganhou um clima parecido com o Reggae, mas camuflado pelas desconstruções que fizemos. Por outro lado, o procedimento de experimentação e jam acabaram por também reconstruir o ritmo, resultando em algo diferente.

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LANÇAMENTO NACIONAL – CD “LEVEZA”

O lançamento nacional do CD LEVEZA acontece em São Paulo, dia 14 de novembro, no Espaço Cultural Puxadinho da Praça, às 23h. O endereço é Rua Belmiro Braga, 216, na Vila Madalena. No início de dezembro, a banda lança o disco no Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Ainda no mês de dezembro, A FASE […]

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